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I de Inteligente

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A famosa letra i que remete a nossa era – a da informação – na maioria das vezes significa i de invenção. A mesma letra i daquela marca famosa da fruta mordida, que diz que seu “i” (eu, em inglês) é como algo pessoal mas acho que de pessoal não tem nada, pois eles colocaram i em tudo, até no OS…

Há alguns poucos anos não tínhamos praticamente nenhuma tecnologia popular pois vivíamos em outra velocidade inventiva, mas da última década para cá houve uma considerável mudança. Gosto de pensar que não apenas a tecnologia evoluiu, mas que as pessoas também evoluíram de alguma maneira inteligente. Rapidamente aprenderam a usar as tecnologias que surgiram como se estas sempre tivessem existido. Por isso acredito que certamente houve algum tipo de evolução.

O mais assombroso é pensar que as pessoas assimilaram bem as tecnologias para uso pessoal, como smartphones, tablets, GPS veiculares, smart TVs e até mesmo refrigeradores com acesso à internet. Tudo isso já faz parte do cotidiano de todas as classes sociais e afirmo que esse movimento não haverá volta. As pessoas não conseguem mais viver sem elas. Em breve vivenciaremos a “internet das coisas”, mas isso deixo para outro artigo.

Agora, o que está acontecendo com as nossas empresas? Por que a tecnologia não está sendo bem vista e acompanhada com a mesma velocidade? Será que o prefixo “i” comentado acima limita mesmo as tecnologias apenas ao uso pessoal? Será que a capacidade produtiva pode ser afetada tanto que, ao invés de ser uma ferramenta extra, apenas se torne pura distração? Já faz alguns anos que vi alguns aplicativos envolvendo realidade aumentada – a la minority report – que permite, por exemplo, um técnico ver o diagrama das peças projetando-se sobre a imagem de uma câmera, o que dá com precisão as diretivas de como se proceder à manutenção, evitar erros e também aprimorando o seu conhecimento.

Isso não agrega valor e qualidade ao serviço executado? Consequentemente não aumenta o lucro da empresa prestadora?

Quem sabe um serviço de compras online em que basta tirar a foto de um objeto, e o sistema já faz a cotação detalhada, com marca, fabricante e melhores preços. Ou ainda um serviço online para logística, cruzando informações entre GPS, melhores trajetos, trânsito em tempo real e compartilhamento de frete para criar um sistema rápido, eficiente e barato de despacho de mercadorias? E veja que estes são apenas alguns exemplos, dentre milhões e milhões de aplicações e funcionalidades das tecnologias IP x sem fio que já temos disponíveis e baratas. Por que o empresário brasileiro continua tão resistente em mudar, em evoluir?

Hoje, quando ofereço um simples PBX VoIP como um facilitador e economizador, sou tratado com estranheza, às vezes como piada. Claro, alguns vão dizer que o nível ou a classe dos clientes que está ruim. Isso não é verdade, pois a maioria do comércio e prestadores de serviços representa 80% do mercado e sim, a maioria ainda trata seus negócios daquela maneira feudal, quase provinciana do século XVIII…

Câmeras IP, fibras ópticas, servidores NAS e firewall com filtro de conteúdo, entre outras tantas tecnologias, são consideradas caras demais e totalmente desnecessárias, como se fosse possível ter computadores rodando Windows XP sem perder a funcionalidade ou segurança. Ora, enquanto continuarem com esse pensamento, essas afirmações serão parcialmente verdadeiras, deixando espaço para essa mal-afamada “insegurança evolutiva tecnológica” – IET (acabei de inventar esse termo mas acho ficou legal…;-)

Esse é o cotidiano de muitos que lêem esse artigo no momento, mas como resolver o problema? Como mudar? Como melhorar o empreendedorismo tecnológico nesse país? Difícil, mas tem jeito!

A melhor maneira é o convencimento, e nunca o confronto. Primeiramente, devemos ensinar nossos clientes sobre o que é tecnologia e como ela pode melhorar a empresa – e consequentemente o lucro. Ensinar que, ao fazer uma propaganda sobre o quanto sua empresa investe em tecnologia, pode fazer com que ela se torne cult e isso afete positivamente o marketing (de novo, lembra da empresa do “i” ?). Convencer um empresário que já está há muitos anos na praça não é fácil, pois o primeiro argumento dele será que “sempre funcionou assim”, que “sempre deu certo”, e muitos mais “sempre isso”, “sempre aquilo”. Só que hoje algumas marcas “de sempre” estão sofrendo para continuar no mercado porque estão sendo engolidas pelas marcas mais competitivas e inteligentes. Exemplo: A tradicional Volkswagen do Brasil perdeu duas décadas de liderança no mercado porque parou no tempo, enquanto marcas como a Fiat e a Ford se modernizaram, agregaram tecnologia e alinharam seus produtos mundialmente, consequentemente assumindo a liderança.

O segundo ponto a ser explorado é entender (bem) o ramo de atividade e o tipo de negócio do seu cliente. Uma campanha focada, talvez comparando-o com concorrentes que investem, costuma ser bem convincente – mas lembre-se de saber bem do que está falando! Pesquise e faça sua lição de casa.

O terceiro e último ponto, e talvez o mais importante, é se valorizar. Perder uma venda é ruim, mas fazer uma venda ruim é pior. Você pode facilmente se indispor com o cliente, porque não vai suprir as expectativas dele e vai se rebaixar como profissional. Saber dizer NÃO é o ponto-chave, sempre insisto nisso. Aperfeiçoe-se e tenha o controle da informação necessária para sempre apresentar bons projetos – e bons projetos podem ou não ser os mais baratos – mas pense sempre no objetivo a se alcançar. Não adianta orçar um equipamento caro se o cliente utiliza uma aplicação simples e leve. Assim como não dá para utilizar equipamento barato em qualquer situação (e na maioria dos casos não dá mesmo) . Deixe o barato para uso doméstico, porque se algo der errado, pode ter certeza que será o primeiro a ser questionado sobre seu trabalho. Se utilizou um projeto completo e eficiente com marcas idôneas, dificilmente isso acontecerá.

Confesso que tenho visto um certo otimismo em nossa área. As vendas deram uma “aquecida” porque existem boatos que estamos à beira de uma (nova) recessão. Infelizmente – ou felizmente – quando essas crises vêm, acabam forçando os empresários a se estruturarem e a se organizarem mais, e isso significa investir em tecnologia. E já explico: em época de “vacas gordas” é possível contratar vários funcionários para realizarem tarefas e assim depender menos de sistemas e tecnologias. O inverso também ocorre quando o “cinto aperta” : É feita uma seleção de funcionários, mantendo os mais especializados e dispensando os mais “braçais”. Consequentemente, os mais especializados vão exigir ferramentas melhores para trabalhar e produzir resultados, e é nisso que entramos.

Aqui claramente sempre haverá um conflito empresarial: Ter que investir, ou ser obrigado a investir? A resposta é simples: ter que investir já faz parte do negócio. Se há um planejamento, nele deve-se incluir um percentual sobre o lucro a se investir, ou gastar em manutenção. O “ser obrigado a investir” acontece quando, acima do planejamento, alguma situação externa como uma crise força a empresa a compensar de alguma maneira a queda nas vendas. Ou isso, ou encolher o tamanho da empresa, o que na maioria dos casos é fatal para o negócio – como fez a General Motors dos EUA em virtude da avalanche de vendas dos automóveis asiáticos naquele país. Por fim, acabou sendo vendida para não precisar fechar. Gosto de utilizar a indústria automobilística como exemplo, porque além de sempre estarem na mídia, hoje são empresas das mais proativas que existem. – Em tecnologia não é diferente porque o plano de negócios também tem de ser explorado de uma maneira inteligente e condizente com a situação do mercado e não apenas no modo “de sempre”.

Publicado no dia