patrocínio:

Embaixo do Capo do React Native

Saia da mediocridade, entenda como funciona o realmente React Native. Mais cedo ou mais tarde isso poderá lhe ajudar muito.

por Jose Urbano Duarte Junior 14/02/2018 Comentários ~ 6 min. / 1119 palavras

O React Native é um framework de desenvolvimento híbrido, isto é você produz um único código Javascript que interpretado e transformado em código nativo. Componentes Estruturantes do React Native (Transformando código Javascript em Nativo)

Aqui faremos um resumo breve sobre alguns componentes básicos: o transpilador, o empacotador, o motor, a brigde e o renderizador.

react-native-overview

Tempo de compilação

O transpilador chamado de Babel é o componente responsável por transpilar seu código Javascript escrito em ES6 em um código Javascript puro.

Diferentemente de um processo de compilação em que um código é transformado em linguagem de máquina, na transpilação um código legível é transformado em outro código legível.

Como é sabido, o Javascript vem evoluindo ao longo dos anos e todo ano novas definições são feitas.

Assim, o Babel é o cara responsável por pegar um código escrito no último padrão e transformá-lo em um código que pode ser interpretado por um motor escrito há anos atrás quando essas novas definições não existiam.

O empacotador chamado de Packager é o cara responsável por combinar seus diversos arquivos Javascript em um arquivo único.

Depois que babel deixou o código em um formato compatível com qualquer motor Javascript, o Packager mimifica os seus arquivos em um só.

Nesse momento é como se você tivesse escrito todo seu projeto em um único arquivo.

Isso pode parecer estranho, mas facilita para o trabalho do motor. Afinal, é muito mais fácil buscar e ler um arquivo do que ficar manipulando diversos arquivos.

Tempo de execução

O motor JavaScriptCore é o cara responsável por entender e processar o código javascript.

Esse motor JavaScriptCore já existe no código nativo sendo utilizado pelo Safari para processamento do javascript.

Assim, sua aplicação React Native só precisa pegar seu bundle (código empacotado) e entregar para o motor JavaScriptCore.

Se você estudar React Native a fundo, você verá que esse bundle é colocado dentro do Aplicativo nativo como se fosse uma imagem ou um asset qualquer.

Depois o caminho para o arquivo é repassado para que o motor JavaScriptCore comece a processar o código.

A Bridge é o barramento utilizado para comunicação entre o motor JavaScriptCore e o Renderizador. Exemplo: o seu código está sendo executado no motor JavaScriptCore para que ele solicite que o nativo crie uma tela.

Essa informação é passada do motor para o renderizado pela Bridge. Entretanto, a informação também pode percorrer o caminho inverso.

Quando um botão é clicado, o clique chega primeiro para o nativo. O renderizado nativo, então, envia esse clique para o motor JavaScriptCore.

O Renderizador é o componente responsável para transformar as mensagens vindas da Brigde em componentes visuais. Assim, a Bridge envia um pedido:

Message 1: “Crie um botão de cor azul e com texto ABC”

O Renderizador chama o método nativo:

Action 1: CreateButton. (Android)
Action 1: CreateViewButton. (IOS)

Como o Renderizador é nativo e implementado nas duas plataformas, uma mensagem como a mensagem 1 pode visualmente resultar em componentes diferentes.

Na verdade essa é mágica do React Native. Os componentes são nativos e desenhados, conforme o padrão de cada plataforma.

A imagem abaixo demonstra a comunicação passando da Bridge para o Renderizador. Observe como ao rolar a tela, novas mensagens solicitando a criação de novos componentes são enviadas do Javascript para o Nativo.

mensagens-pela-bridge

Gargalos

Um questionamento natural ao entender a arquitetura do React Native é quanto a performance. O React Native possui um gargalo: a Brigde. É na Bridge que passa toda informação entre o motor e o renderizador. Assim, passar objetos muito grandes pela Bridge causa uma sobrecarga.

Virtual DOM

Já foi explicado que a Bridge é um dos gargalos do React Native, por isso seus arquitetos tentaram mitigar esse problema utilizando a Virtual DOM. O Virtual DOM é um árvore virtual que representa o estado de cada componente na tela. Assim, ao invés de passar toda e qualquer modificação que aconteça em um componente para o renderizador, o Virtual DOM compara novo componente com o estado antigo do DOM Virtual e envia para Bridge somente as informações que foram modificadas.

Exemplo: Imagine que você tenha 20 componentes na tela e uma funcionalidade que altere o valor de um texto ao se clicar em 1 botão. Ao invés de enviar para o renderizador toda a tela com o novo texto, o Virtual DOM filtra e envia apenas o modificado componente.


Atualizando o seu App Remotamente

Não é necessário entender os componentes estruturantes do React para fazer um app, mas isso lhe ajudará a entender as limitações e as vantagens desse framework.

Uma das vantagens claras do React Native é possibilidade de se atualizar um aplicativo sem necessidade de passar pelos longos e burocráticos processos das lojas (Apple e Google).

Se você entendeu bem a parte do empacotamento, você terá vislumbrado a possibilidade de receber um javascript já mimificado pela internet e solicitar que o motor faça a interpretação desse código.

Basicamente você pode utilizar os componentes 1,2 (Babel e Packager) para gerar um novo bundle e substituir seu bundle anterior pelo novo. Projetos como o CodePush da Microsoft fazem exatamente isso.

Limitações

Claro que existem limitações. Todo aplicativo é como uma sandbox com permissões definidas e autorizadas pelo usuário.

Assim, se seu aplicativo nativo não declarou que faria uso da câmera no momento que foi enviado para Google, não adiantará você mandar uma atualização que tente fazer este uso.

O lado nativo, que não pode ser atualizado remotamente, irá negar acesso ao recurso. Além disso, se você fizer mal uso desse recurso, a Apple e a Google podem acabar banindo seu aplicativo e/ou a sua conta de desenvolvedor.

Outras limitações associadas ao fato do lado nativo ser fixo, é que seu novo bundle javascript não introduz novas dependências que façam usam de bibliotecas nativas.

Exemplo 1: Não é possível gerar um bundle utilizando o react-native@0.51.0 e, posteriormente, atualizar remotamente seu app com um novo bundle que utiliza o react-native@0.52.0. Isso porque a implementação React possui código nativo (renderizador), assim o seu bundle react-native@0.52.0 estaria tentando conversar com um renderizador react-native@0.51.0.

Exemplo 2: Não é possível gerar um bundle utilizando a biblioteca react-native-camera@1.0.0 e depois atualizar seu app remotamente com um bundle que utilize a react-native-camera@1.1.0. Isso porque a biblioteca react-native-camera utiliza o comando react-native link para sua instalação. Esse comando injeta código nativo no aplicativo. Assim, como tivemos no exemplo 1, teríamos uma biblioteca 1.1 tentando conversar com código nativo feito para biblioteca 1.0

Exemplo 3: É possível gerar um bundle utilizando a biblioteca react-native-mobx@1.0.0 e depois atualizar seu app remotamente com um bundle que utilize a react-native-mobx@1.1.0. Isso porque a biblioteca react-native-mobx é puramente javascript. Ela não executa o comando react-native link. Todo seu código será interpretado pelo motor javascript.

Referências para sobre o assunto

https://www.youtube.com/watch?v=NkbO-Vhqbl0&t=589s

https://www.youtube.com/watch?v=hDviGU-57lU&t=1315s

https://www.youtube.com/watch?v=Ah2qNbI40vE&t=471s