A internet faz você feliz?

O mundo está mudando, e para melhor. Segundo Rafael Calvo, pesquisador do Departamento de Ciências da Computação da Universidade de Sydney, estamos entrando rapidamente numa nova fase no desenvolvimento e design de softwares. Nesta nova etapa da computação, produtividade e eficiência não serão mais os únicos critérios para mensurar o sucesso de um sistema. Para Calvo, essa nova fase é parte de uma saga em inovação na área de UX. Num primeiro estágio, nos preocupamos em criar sistemas que tivessem usabilidade, e, num momento posterior, que sustentassem hábitos.

por Tiago Dória 08/10/2015

O mundo está mudando, e para melhor. Segundo Rafael Calvo, pesquisador do Departamento de Ciências da Computação da Universidade de Sydney, estamos entrando rapidamente numa nova fase no desenvolvimento e design de softwares. Nesta nova etapa da computação, produtividade e eficiência não serão mais os únicos critérios para mensurar o sucesso de um sistema.

Para Calvo, essa nova fase é parte de uma saga em inovação na área de UX. Num primeiro estágio, nos preocupamos em criar sistemas que tivessem usabilidade, e, num momento posterior, que sustentassem hábitos. E agora o foco está em criar sistemas que nos façam não somente mais inteligentes, produtivos e sociais, mas também mais felizes e bem-vindos.

Calvo é autor de Positive Computing, livro que sustenta a ideia de que devemos inserir os conceitos de felicidade e bem estar ao delinear um software. As ideias do pesquisador têm chamado a atenção de muita gente do Google, Facebook e MIT. Há um mês, tive a oportunidade de assistir a sua palestra no MIT, aqui, em Boston.

Segundo Calvo, numa primeira fase, a computação foi impulsionada por produtividade e eficiência, onde os usuários eram vistos como máquinas (como se as pessoas estivessem interessadas somente em aumentar a sua produtividade e eficiência). Hoje buscamos mais das tecnologias. Não basta que nos tornem mais produtivos, inteligentes e sociais, queremos também nos sentir mais felizes e realizados.

Essa mudança na expectativa sobre o que as tecnologias podem fazer por nós teria surgido por várias razões:

1) A partir do momento em que softwares passam a fazer parte de cada aspecto da vida das pessoas, estas passam a esperar mais das tecnologias (não só aumento de produtividade, comunicação rápida ou eficiência).

2) A ideia de que é impossível mensurar de forma científica felicidade e bem estar tem sido deixada de lado. É inegável que ainda existe pouca experiência em medir tais aspectos no desenvolvimento de software; entretanto a área de “interação humano computador” (HCI) vem colocando essas questões há bastante tempo.

A rigor, felicidade e bem estar têm sido mensurados por economistas, psicólogos e governos. A ONU tem o seu próprio índice de felicidade – World Happiness Report. Já o governo britânico produz periodicamente um relatório sobre felicidade e bem estar, o qual é utilizado como referência para criar políticas públicas.

3) Recentes avanços em tecnologia de dados, affective computing e computing vision abriram consistentes caminhos para avaliar a felicidade e a realização dos usuários. E isso pode ser usado como métrica e referência na hora de projetar um software.

Como tudo isso acontece na prática? Na área de softwares para tratamento médico, faz bastante sentido. Entretanto envolve repensar e criar funcionalidades que realmente promovam o bem estar, como desenvolver uma arquitetura que evite o bullying numa rede social.

As ideias de Calvo demonstram uma vez mais que o desenvolvimento de software vem cada vez mais bebendo na fonte de outras áreas. O que o pesquisador da Universidade de Sydney faz é mesclar ideias da psicologia positiva com das ciências da computação. E isso é bem interessante e inspirador.

Positive computing é mais um exemplo de como nós, desenvolvedores, designers e tecnologistas, estamos sempre questionando a forma como fazemos as coisas. E essa é uma das características mais bacanas de se trabalhar com tecnologia: estamos num ambiente onde é normal questionar o que até então era tratado como verdade absoluta.

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