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Qualidade em Uso: expandindo a Usabilidade

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A usabilidade, ainda é vista como um “diferencial” ou “vantagem estratégica” dentro das organizações durante o processo de desenvolvimento de websites. Sabemos que, na realidade, é um critério de qualidade que deve ser atendido pela aplicação, ainda que muitos percebam isto de forma implícita. Mas este conceito ainda não está maduro dentro das organizações. Diversas abordagens como a engenharia de usabilidade e o design de interação vêm sendo adotadas dentro dos processos de desenvolvimento para assegurar uma boa experiência de uso das aplicações. Porém, é necessário ampliar esta visão da experiência do usuário, considerando outros fatores além daqueles relacionados ao design.

Qualidade em Uso

Qualidade em Uso é um termo cunhado em meados da década de 90 por Nigel Bevan e incorporada à norma ISO/IEC 9126, originalmente se referindo à qualidade de software. Ela estende a caracterização da qualidade e ergonomia de software contida em determinadas normas ISO, englobando o contexto do ambiente de trabalho para caracterizar a satisfação de uso, focando não apenas no usuário, mas em seu comportamento ao interagir com um sistema computacional. A qualidade interna (propriedades do código) e a qualidade externa (comportamento do software durante a execução) influenciam a qualidade em uso e estão contidas na mesma. Dessa forma, temos a percepção da qualidade verificada através do uso.

Escopos da Qualidade em Uso - adaptado de Bevan (1999)

Escopos da Qualidade em Uso - adaptado de Bevan (1999)

Fatores interligados da Qualidade em Uso

Fatores interligados da Qualidade em Uso - adaptado de Bevan (1999)

Objetivos da Qualidade em Uso

A Qualidade em Uso tem como principal objetivo a avaliação de como as características do software atendem às necessidades dos usuários. Esta qualidade é analisada sob quatro características:

  • Eficiência: capacidade do produto de software de permitir ao usuário atingir metas específicas como completude, em um contexto de uso específico;
  • Produtividade: capacidade do produto de software de permitir que seus usuários empreguem quantidade adequada de recursos em relação à efetividade alcançada em um contexto de uso específico;
  • Segurança: capacidade do produto de software de apresentar níveis aceitáveis de riscos de danos a pessoas, negócios, software, propriedade ou ambiente em um contexto de uso específico;
  • Satisfação: capacidade do produto de software de satisfazer usuários em um contexto de uso específico.

Expandindo a usabilidade

A abordagem da Qualidade em Uso visa cobrir não apenas a facilidade de uso, mas assegurar funcionalidades e suporte apropriado para atividades de uso em cenário real. É considerado não somente a visão do usuário, mas do contexto de uso em ambiente de trabalho.

Enquanto a usabilidade está, geralmente, associada com a melhoria da interface com o usuário, o objetivo maior da qualidade em uso está relacionado também com os requisitos de negócio. Com isso, há um aumento de eficiência e de produtividade, pois a interface deve ser ajustada às tarefas mais comuns, permitindo ao usuário operar o software de modo mais eficiente e efetivo, se concentrando apenas nas tarefas que deve realizar e não na decodificação da interface. Além disso, um processo adequado para implementação e verificação da qualidade em uso pode reduzir erros, treinamentos e aumentar a aceitação do software. Embora também seja objetivo da usabilidade reduzir a carga de trabalho do usuário ao interagir com a interface, ela tem um escopo limitado à interação usuário-sistema sem considerar fatores internos e externos do software e fatores ambientais. Além disso, a usabilidade é intrinsecamente ligada às necessidades do usuário final, enquanto a Qualidade em Uso visa instanciar na aplicação desenvolvida a visão de diferentes tipos de usuários que poderão operar o sistema.

Um software, seja uma aplicação desktop, web ou mobile oferece uma boa experiência de uso quando é eficiente, eficaz, adequado aos requisitos, agregando valor às tarefas que o usuário precisa executar e proporcionando satisfação.

Resumindo

Usabilidade Qualidade em Uso
Diretivas gerais Diretivas variáveis conforme o contexto
Recomendações para o projeto diferenciadas pelo tipo de aplicação (web, mobile, etc) Recomendações para o projeto diferenciadas pelo tipo de aplicação e necessidades do projeto
Centrada na interação entre usuário e sistema Centrada na interação entre usuário, sistema e cenário real de uso
Foco na facilidade de uso Foco em todos os aspectos que asseguram a qualidade da experiência do usuário com o sistema
Refere-se à apresentação e funcionalidades relativas à interface Refere-se às características da interface, desempenho do sistema e qualidade do código
Responsabilidade maior dos designers e especialistas de usabilidade Responsabilidade de designers, programadores, gerente de projeto, especialistas de usabilidade, etc
“Usuário” refere-se ao usuário final “Usuário” refere-se ao usuário final, pessoa que fará manutenção no sistema, cliente, etc

Com a colaboração de meus colegas de mestrado: Carlos Eduardo de Souza, Jônatas Leite, Kênia Rosa, Maíra Canal, Renata Firmino, Rodrigo Silvestre e Rogério Xavier.

Referências e Leitura Complementar

BEVAN, N. Quality in Use: Meeting User Needs for Quality. In: Journal of System and Software, 1999.

BEVAN, N.; AZUMA, M. Quality in Use: Incorporating Human Factors into the Software Engineering Lifecycle. Proceedings of the 3rd International Software Engineering Standards Symposium (ISESS ’97), p.169, June 01-06, 1997

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