Tableless - Desenvolvimento inteligente com Padrões Web

09/04/2007
Artigos

Pra que simplificar se pode complicar? (Offtopic?)

Domigo fui em um restaurante chamado Outback. Já foi? Se não, tenta ir. A comida e o atendimento são excepcionais. Mas o ponto é outro… Estava fazendo um pedido para a moça que estava nos atendendo. Fiz meu pedido com …

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Domigo fui em um restaurante chamado Outback. Já foi? Se não, tenta ir. A comida e o atendimento são excepcionais. Mas o ponto é outro… Estava fazendo um pedido para a moça que estava nos atendendo. Fiz meu pedido com uma pequena observação: eu queria que meu sanduíche viesse sem bacon. E ela anotou uma observação abaixo do meu pedido, mais ou menos assim: E380A.
Achei estranho e como bom curioso, perguntei para ela: – Moça, não era melhor escrever SEM BACON?
Por sua vez ela respondeu: – Mas é normal, já decorei, temos que escrever os pedidos assim.

Outro dia aconteceu a mesma coisa, mas foi em outro restaurantezinho daqui de São Paulo (Habibs) e em vez de papel e caneta, o garçom estava com um PocketPC. Entrei, sentei, fiz meu pedido para um dos garçons, que era novo na área e se embolou todo para anotar. Depois, ele veio se desculpar e falou: – É que sou novo aqui, e tem uns códigos para decorar. – Códigos? E lá vai eu de novo perguntar: – Que códigos?
O garçom esticou o Pocket e me mostrou: Havia o cardápio inteiro ali, acontece que por exemplo, se você pedisse um suco de laranja, em vez de clicar no nome SUCO DE LARANJA (que não existia) ele clicava em algo parecido com isso: L2320.

Para que simplificar se podemos complicar? :-)
O pessoal que fez o sistema não poderia simplesmente ter feito uma interface onde o garçom só clicasse no nome do prato que o cliente pediu e pronto? O garçom não precisaria ficar decorando códigos intermináveis e o atendimento seria muito melhor para o consumidor. A empresa também economizaria em treinamento. E o garçom ou quem estivesse ali te atendendo, não precisaria ficar tão inseguro ao anotar seu pedido. Fora que seu pedido não viria errado.

Muitas vezes fazemos a mesma coisa com o desenvolvimento web. Ainda mais quando estamos usando Padrões Web. Já complicávamos quando usávamos Tables… Agora, usando algo simples, conseguimos complicar também. Em vez de por 2 divs, o pessoal coloca 4. Em vez de usar borda, colocamos uma imagem ou até um div vazio com uma altura definida.

SIMPLIFICAR minha gente, é a segunda alma do negócio, a primeira como já dito, é a semântica. Tente sempre encontrar um caminho mais fácil do que você já encontrou. Vai chegar um momento em que você saberá de cor e saltiado as soluções mais simples e compatíveis com os browsers, sua produtividade aumentará e seu método de trabalho se padroniza. Isso é importante para trabalhos em equipe e projetos longos, com padrões de layout complicados e muito diferentes uns dos outros.

KISS – Keep It Simple Stupid. Procure na web por isso e seja feliz.

Por Diego Eis

Diego Eis criou o Tableless para disseminar os padrões web no Brasil. Como consultor já treinou equipes de empresas como Nokia, Globo.com, Yahoo! e iG. É palestrante e empreendedor.

http://twitter.com/diegoeis/

Veja os outros posts de

  • http://www.antenando.com.br Rael B. Riolino

    Lembro até hj meu primeiro layout em tableless hehe…. cabeçalho picotado em várias imagens. Cada uma dentro de uma DIV com position:absolute… hahahahaha

    Melhor coisa que aconteceu na minha vida profissional foi aprender a desenvolver semanticamente (em tableless)….

  • http://www.aguinelopedroso.com Aguinelo Pedroso

    Pois é… tableless simplificou minha vida e me tornou uma pessoa melhor, menos transtornada… hehehe, devo isso ao Fred e sua palestra no 10° Encontro de Webdesigners de Curitiba.

    Foi ai que conheci tableless e WEBStantards.

    Muito bom Diego

  • http://www.hrangel.com.br Rangel

    Muito bom o post.

    Concordo plenamento com a idéia que devemos simplificar o máximo possível sem perder o contexto.

    Pena que não são todos que pensam assim, tem muita gente que após achar uma solução acha que não há o que melhorar, temos sempre que estarmos buscando soluções melhores para nossos problemas mesmo que consideremos a solução perfeita!

    Grande abs!

  • http://www.thiagomachado.com Thiago Machado

    adoro suas historias e comparações

    forte abraço

  • http://garagemdaweb.com.br/stressless Zehh

    Diego, por que você não esta mais liberando o feed completo do seu blog? É um saco isso!

  • Peterson Chaves

    Provavelmente foi mais um gerente preocupado com a tecnologia e não como a ecnomia de tempo no atendimento e tal.

    Quando começaram a comercialisar os dispositivos móveis para facilitar atendimento a clientes por exemplo, pouco se pensava em como seria o sistema que naquele Palm, Handheld, PockePC fosse usar, mas sim que aquele ambiente tinha um dispositivo para “melhorar” o atendimento e então, o que aconteceu? “Para que melhorar se a gente pode complicar.”

    Quando esse “gerente” (entre aspas), pois gerente que é gerente, conhece o seu negócio, sabe lidar com tecnologia, logística, atendimento e demais áreas, precisa ter know how diversificado. Afinal, que profissional que não precisa disso hoje? Cada vez mais todos precisam saber tudo, não é verdade?!

    O legal é que quem chegar até esse Habbibs e vender uma idéia mais inovadora em forma de aplicação, pois hardware, teoricamente eles já tem , então esse vendedor sim sairá ganhando. E o gerente super esperto saberá o quanto sua empresa perdeu usando um formato de trabalho como esses, de códigos.

    Poxa, chega a ser engraçado. Cada dia que passa até o lado dos desenvolvedores está diminuindo de códigos, o lado do cliente final aumenta!? Afff. Insufiência técnica, más formações ou pessoas desprovidas do conhecimento? :-)

    Fui até uma empresa, de cabelereiros, vender um sistema intranet, para gerenciamento das comandas, contatos, pagamentos, etc. O cliente usava seu belo pc 166, com windows 98 e um programa rodando no ms-dos, feito em Clipper (já trabalhei com isso também). Bom, ofereci um sistema em php + mysql, rodando localmente, sem problemas de migração, com mais rapidez, sem problemas de travamento, etc. O cliente fechou comigo a intranet, módulo para acesso externo (um site web para clientes e admin para acesso ao módulo de comandas, clientes, financeiro), um sistema para palm que fizesse acesso ao Bd para registrar serviços dos clientes direto da cadeira onde o cliente estivesse, sem precisar ir até o pc registrar e a compra de 5 palms para implantar o sistema.

    Agora não sou mais desenvolvedor?! sou marketeiro!? Fiz o que poucos fazem e muitos nem sonham em fazer. Entender o problema, análisar e gerar soluções.

    Tableless, semântica, webstantards, ajax e outros serão parte desse projeto e de outros já realizados.

    E viva aos que são pagos para fazer, pois assim aproveitamos para pensar e temos mais valor sobre isso. Idéias, conhecimento, ninguém compra, ninguém paga, a gente adquire!

    Abssss!!!!!!!!!

  • http://www.ferrari.eti.br Carlos André Ferrari

    offmode=on

    Estive em são paulo no inicio do ano e conheci o outback, uma cebola enorme e muito boa, refrigerante infinito, caro.. mas tudo vale a pena, pois o sabor é ótimo e o ambiente é muito agradavel.

    offmode = off

    Bom, o que eu mais gosto de fazer é uma das coisas que ninguem gosta, o Refactoring, adoro pegar meus codigos e melhorar ao extremo, o problema disso é que eu nunca termino meus sites pessoais, pois quando estou na metade, penso em algo melhor >

  • http://www.ferrari.eti.br Carlos André Ferrari

    (comentario anterior cortado, grr)
    repetindo..

    Bom, o que eu mais gosto de fazer é uma das coisas que ninguem gosta, o Refactoring, adoro pegar meus codigos e melhorar ao extremo, o problema disso é que eu nunca termino meus sites pessoais, pois quando estou na metade, penso em algo melhor.

    acredito que o sistema de codigos pode ser muito eficiente, você ganha espaço na tela para anotar os pedidos, mas desde que esses sistemas tenham alguma coisa que permita a seleção sem ser por codigos, “uma tecla”.. assim, com o tempo o garçom aprenderia os codigos sem querer e acabaria ganhando mais medalhas no outback.

    resumindo, mesmo com o gasto com o treinamento dos funcionários nos códigos, isso será ganho de volta em algum tempo com o “desempenho do atendimento”.

  • http://webnatal.wordpress.com Yalli Oliveira

    Realmente, não vejo um porque de não melhorar a usabilidade nesse tipo de sistema…

  • http://www.corporacaoweb.com Fill

    Realmente, hoje o pessoal ve complexo e pensa complexo, teve um de seus posts, não me lebro qual, em que voce disse “pense simples, faça simples” ;) nunca vou me esquecer disso.

  • http://rafaelsantini.blogspot.com Rafael Santini

    Os caras implementam o pedido com o uso de códigos propositalmente, a pedido dos gerentes, para que os garçons não sintam que a tecnologia um dia pode tomar o lugar deles e o sindicato não peguem no pé dos restaurantes. Afinal de contas, o pedido poderia ser implementado em uma touchscreen “embutida” sobre a mesa, onde o cliente poderia ver a foto do prato, os valores nutricionais etc. Em vez de garçon, teria apenas o “entregador”. ahahahah (brincadeira)

  • Pingback: Semântico - um pouco mais sobre Web Standards, Tableless, CSS e... Semântica é claro

  • Vitor

    @Rafael Santini
    Interessantíssimo seu ponto de vista cara! Faz muito sentido isso. Enfim uma explicação mais racional para essa situação tão estranha de querer complicar mais o sistema de atendimento dos restaurantes.

    Mas falando de desenvolvimento WEB, o negócio é simplificar mesmo. Nunca podemos dar um código por acabado, devemos considerá-lo ESTÁVEL. Pois em alguns meses podemos pensar em uma maneira melhor e mais prática de fazê-lo, que também será ESTÁVEL, pois talvez posteriormente se descubra outra maneira de fazer… e assim vai neste circulo vicioso… rsrsrs

    Parabéns pelo post Diego. Ah, e quando tiver um tempinho da um jeito naquele blog da Visie.

    Abraços.

  • http://blog.sysgsm.com Gustavo Montes

    Tenho comportamento semelhante ao Carlos André Ferrari, estou sempre reformulando alguama coisa. Creio que o que acontece é que muitas vezes os prazos apertam e a solução que vier primeiro, seja ela a mais adequada ou não as vezes vence. Não deveria ser assim, mas infelismente acontece…

  • Lucio Paiva

    Aqui no Rio eles fazem o mesmo no Giraffa’s… o garoto era visivelmente novo, foi anotar meu pedido e se embolou todo com os códigos. Cada prato tem um número: P1, P2, etc… é mais fácil pros caras que imprimem o formulário de anotação do pedido, mas mais difícil pro atendente.

    Já no McDonald’s e Bob’s eu vejo os próprios funcionários dando apelidos curtos pros sanduíches, pra quando forem gritar o pedido pro pessoal da cozinha não perderem muito tempo… nesse caso é uma espécie de código que é válido existir!

  • Peterson Chaves

    Fala Vitor,

    Concordo contigo.

    Alguns lugares não se tocaram com o objetivo principal, o X da questão. O X é a lucratividade com praticidade.

    O uso da semântica, os cuidados com usabilidade, enfim, é uma forma de auxiliar esse objetivo principal.

  • Kel

    Besteira, com todo o respeito!
    Na verdade o que a garçonete anotou, quando tu fez o pedido no Outback, foi um simples “86″ bacon, e não E380A.
    86 é o termo utilizado no restaurante para “sem”, e se tu for pesquisar o que 86 significa, até mesmo na história dos Estados Unidos, vai descobrir que é algo muito interessante, e não um “código existente para confundir os funcionários”!

  • http://www.construsitebrasil.com Márcio

    Bela máxima!

  • http://twitter.com/maiconpinto Maicon Pinto

    Sem comentário para este post: Muito Bom! Apesar de muita gente saber disso, refletir de vez enquando sobre o assunto é importante para reciclar idéias que insistem em se manter presas às manias rotineiras.
    Ótimo post para limpar a cabeça cheia de stress. :D
    Grande abraço.