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Usabilidade de interfaces para dispositivos móveis – parte II

Adequar aplicações ao contexto de dispositivos móveis apresenta determinados vieses de desenvolvimento.

Imagem post: Usabilidade de interfaces para dispositivos móveis – parte II

Como vimos na primeira parte do artigo, as diretrizes existentes de usabilidade continuam valendo no contexto mobile, mas precisam ser revistas e interpretadas de outra forma. Podemos perceber que o gargalo é conseguir manter as informações e funcionalidades que fazem sentido neste cenário. Adequar aplicações ao contexto de dispositivos móveis apresenta determinados vieses de desenvolvimento.

Variedade de Dispositivos

Variedade de Dispositivos

Variação de hardware (muito maior do que computadores convencionais)

Dispositivos móveis têm uma grande variedade de displays (tamanhos, cores, resolução), de forma de entrada de dados (touchscreen, teclado físico – QWERTY ou convencional -, microfone, câmera) e também de capacidade (processamento, armazenamento, etc.). Com essas combinações, é possível imaginar uma combinação vasta de dispositivos. Como um site pode ser ajustável para proporcionar uma interação similar mediante esta diversidade? Como ele irá aparecer? O conceito de Responsive Web Design e a técnica de media queries são soluções que visam minimizar este fator.

Convenções de interface e interação em plataformas

Compatibilidade de ícones, comandos e ações não é uma diretriz recente em ergonomia de software. Mas em ambientes mobile, este é um ponto que ainda não está bem adequado. Basta observarmos como cada plataforma disponibiliza convenções distintas de interface, sem contar a variação de navegadores, que geralmente são nativos de cada plataforma, o que acaba “amarrando” o usuário.

(Comportamento do usuário no) ambiente

Dispositivos móveis geralmente não são utilizados em um ambiente estável, como uma mesa. O ambiente externo onde o usuário se encontra influencia a sua interação com o sistema. É dia ou noite? O usuário está parado ou em movimento? Com as duas mãos livres? Ocupado? Todos estes fatores externos têm impacto na interação e é da alçada da equipe de desenvolvimento analisar todas estas variáveis para compor o cenário de uso da sua aplicação. Já vimos aqui no Tableless que o ambiente do usuário influencia na qualidade da interação.

Novas perspectivas

É interessante ver que há um movimento por parte da comunidade de desenvolvedores para construir aplicações web cada vez mais parecidas com aplicações nativas do dispositivo.

O que podemos extrair disso é um esforço em reproduzir o modelo de interação familiar às pessoas com relação à estes dispositivos.

De certa forma, é uma tentativa de adequar as interfaces e o funcionamento das aplicações ao que os usuários esperam e também ao que se ajusta melhor ao contexto mobile, para facilitar a precisão da área de toque, o feedback das ações, a visualização de informações, a densidade informacional, entre muitos outros fatores.

Para atender a este novo cenário de tecnologias emergentes, os métodos e técnicas de usabilidade precisam de uma reciclagem e uma reflexão sobre até que ponto eles estão prontos para guiar e avaliar o desenvolvimento de aplicações destinadas a estas tecnologias. Este é o mote da Nova Usabilidade. Aguardem os próximos dois artigos.

Referências

Marcus, A. “Mobile User Interface Design: For Work, Home, and On the Way”. In ACM SIGCHI 2004. ACM, Viena, Austria, 2004.

Apple. iOS Human Interface Guidelines. Disponível em http://bit.ly/rp2HZh.

IHC 2006. Workshop de Usabilidade de Aplicações e Tecnologias Emergentes: a Necessidade de uma “Nova Usabilidade”?. Disponível em: http://www.dimap.ufrn.br/ihc2006/workshop.php

Peter Thomas and Robert D. Macredie. 2002. Introduction to the new usability. ACM Trans. Comput.-Hum. Interact. 9, 2 (June 2002), 69-73. http://doi.acm.org/10.1145/513665.513666

Peter Thomas and Harold Thimbleby. 2002. The new usability: the challenge of designing for pervasive computing. In Proceedings of the 15th international conference on Computer communication (ICCC ’02), S. V. Raghavan and Sudhir P. Mudur (Eds.). International Council for Computer Communication, Washington, DC, USA, 382-388.

Kelma Madeira et al. Uma Avaliação do Orkut utilizando Personas sob a ótica da Nova Usabilidade. In: VIII Simpósio Brasileiro de Fatores Humanos em Sistemas Computacionais (IHC 2008), Porto Alegre, 2008.